Mulheres Alternadas

Zelda Anjinha Magda Lena Rô

Quinta-feira, Junho 2

Aos poucos fui me desfazendo das lembranças possíveis, as palpáveis, já que as impressas no corpo e na alma são mais difíceis de descartar.
Comecei pelas cartas, inúmeras, apaixonadas, que me faziam tão feliz. Lê-las hoje me faz tão mal! Joguei todas fora.
Aquelas fotos, suas, nossas? Rasguei todas, para que não reste dúvida de que um dia não vou me lembrar de um traço sequer do seu rosto. Doeu fazer isso, sabe, mas era preciso; tinha que ser drástico assim, desse jeito. Tinha que dar fim àqueles momentos de felicidade pra não correr o risco de querer viver tudo de novo, que nem viciado que não pode ter contato com a droga. E você é, literalmente, uma droga.
Confesso que senti muito ter feito tudo isso, ter me desfeito desses pedaços de sonho. Mas chega uma hora em que não dá mais pra fingir que nada está acontecendo, não dá pra não perceber que alguma coisa (muita!) mudou naquela relação "quase perfeita". Não dá pra viver de passado.
O que fui, o que fomos, já foi; não tem volta!

por MAGDA
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