Mulheres Alternadas

Andorinha Zelda Anjinha Magda Lena Rô

Quarta-feira, Outubro 27, 2004

Vida em turbilhão.
Mudanças de rumo.
Rasteiras.
Medos e dúvidas.
Partes que vão ficando no caminho.
Urge recolhê-las!
Juntar os pedaços.
Ficar inteira.
Buscar equilíbrio.
É preciso sublimar.
Respirar.
Sobreviver às tempestades.
Adaptar-se às mudanças.
Levantar das rasteiras.
Exorcizar medos e dúvidas.
E ir andando, andando...
por Zelda
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Sabe aquela fase de porrada em cima de porrada que não acaba nunca? Pois é: tem uma amiga minha que está vivendo uma dessas e outro dia comentando com um amigo a maré de má sorte ouviu dele:
- Quer dizer que está há um ano em lua de mel.
- Lua de mel?? disse ela quase indignada.
- É, foda em cima de foda!

Não deixa de ser uma definição...
por Zelda
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Sobre pai e filha

Hoje recebi um conselho da minha amiga Mrs. Red quando a questão for cobrança por carência de pai numa época em que não estou dando conta nem de mim:

- Quando ele começar a fazer drama, faz cara de paisagem e pergunta: "Papai, quer sorvete?"

Gostei. Vou pôr em prática na próxima vez.

Por Zelda
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Domingo, Outubro 17, 2004

Tudo amigo, eu o fiz para ti.
Tudo isto que sem olhar verás na minha estância nua:
tudo isto que se eleva em muros altos, retos
- como meu coração -
sempre buscando altura.

É engraçado, amigo. Que importa!
Ninguém sabe entregar em mãos
o que se esconde por dentro,
mas te darei minha alma,
ânfora de mel suave,
e tudo te darei...menos aquela lembrança...

...que na casa vazia aquele amor perdido
é uma rosa branca que se abre em silêncio.
(Pablo Neruda)

por Zelda
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Quinta-feira, Outubro 14, 2004

Hora redonda no relógio
me diz que é tempo de ir
pra onde ainda não sei.
Talvez pro norte dos meus sonhos
ou para um canto qualquer dos meus pesadelos
tormentos que atormentam minha alma
fantasmas que assombram
e nem dormindo estou.

Reluto, refuto, me furto do sono
pra fugir dos sonhos
que afloram do meu íntimo,
impunes, impróprios
mostrando, impiedosamente,
o que não quero ver.
Tento ficar acordada
dormir pra quê?
Escuridão insone,
sombras que se arrastam
ruídos longínquos da minha mente.
Melhor manter os olhos abertos.

por Zelda
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Terça-feira, Outubro 12, 2004

Às oito da noite chega a mensagem:
"Sinal verde. Mamãe foi ficar com os netinhos. Demora umas três horas. Que tal uma maratona?".
Ela não ia perder isto por nada. No way!
"- Claro que topo. É pra chegar aí em quanto tempo?"
"- Dez segundos?"
"- Pode ser vinte??".
Tomou uma chuveirada, colocou a roupa mais básica, pegou a bolsa e saiu veloz. Entrou num táxi e, por sorte, o percurso era pequeno. Do e-mail à chegada dela não demorou nem vinte minutos.
"- Essas maratonas me deixam agitada".
Deram alguns beijinhos, trocaram meia dúzia de palavras e foram às vias de fato, que o tempo era curto.
No quarto, porta devidamente trancada, ela pergunta:
"- Nenhuma chance de mamãe Ivone voltar?"
"- Nenhuma", diz ele seguro, enquanto desabotoava a blusa dela.
O celular dela tocou. "- Vou atender. Pode ser importante...". Não era!
Ela suspende a camiseta dele, lhe acaricia o peito e com um clima já quente é a vez do celular dele tocar. Outra pausa. Decidiram não atender mais, pois não havia coisa mais importante e perene naquele momento do que o tesão deles.
Se podiam ignorar o celular, o mesmo não dava pra fazer com a voz de criança seguida pela voz de mamãe Ivone. Paralisaram. Mamãe pergunta:
- Filho, está aí?.
Gelaram.
- Estou.
- Resolvi dar uma passada em casa rapidinho.
- Deu pra perceber
- Vai ficar aí dentro?
- Vou. Que jeito....
- Quê?
- Nada.
- Agora danou-se!, disse ela baixinho. "Não dá nem pra pular a janela porque tem grade. Como vou fazer..."
Calou-lhe a boca com um beijo. E outro. Mais outro, e outros tantos quantas as vezes que ela ainda insistia em argumentar. Por fim, desistiu e entregou-se libertinamente à cadência dos movimentos dele. Não era difícil esquecer mamãe Ivone quando o filhinho dela se imbuía do dever de servir uma mulher. E ele sabia servir como ninguém; era banquete pra mil talheres.
Treparam como se não houvesse ninguém por ali. Volta e meia ouvia-se os passos corridos do menino. Mamãe comentava alguma coisa de passagem, e ele respondia enquanto penetrava nela com mais vontade. Tesão transgressor.

- Peraí que vou lá falar com ela.
- Não acredito que vou ter que me enfiar debaixo da cama..., ela disse enquanto via a cara dele de cachorro caído da mudança. - Tá bom! Que jeito!!!
Escondida debaixo da cama do quarto dele na casa de mamãe, ela controlava o riso nervoso. Era só o que faltava ser flagrada naquela situação, digamos, precária.
A porta do quarto se abre abruptamente. Ela reconhece os pés dele.
"- Já foram".
Ela sai debaixo da cama, ele ajoelha entre as pernas dela e continuam a maratona.

por Zelda
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Sábado, Outubro 02, 2004

Não tenho a menor dúvida de que no próximo verão só vai dar a escova progressiva, que tem promovido verdadeiros milagres nas madeixas rebeldes das moçoilas e é a última palavra para quem deseja um cabelo mais liso e brilhante por uns dois meses.
Há um tempo ouço falar disso. Várias conhecidas já fizeram e garantiram que a satisfação é absoluta. Perguntei aqui, consultei acolá e decidi topar a parada.
" - O cheiro é um pouco forte, mas nada demais", me disse uma amiga.
"- Eu só fiquei com uma dorzinha de cabeça". , disse outra.
"- É que nem parto; depois a gente esquece".
Teve uma que chegou a dividir sua vida antes e depois da escova progressiva.
"- Você não vai querer outra coisa.", me afirmou a cunhada com tanta veemência, que resolvi arriscar já que ando meio de mal com meu cabelo há algum tempo.
Marquei hora no cabelereiro depois de fazer inúmeras perguntas ao atendente: "Tem contra-indicação? Dá alergia? O cabelo cai? E se eu não gostar do resultado?" .
"- Não tem problema algum.Você pode fazer sossegada. Trabalhamos com isso há três anos".
Finalmente chegou o grande dia e eu, com um frio na barriga e muitas dúvidas na cabeça, fui. A recepcionista, muito simpática, vendo a minha insegurança tratou logo de me animar.
"- Você vai gostar", e me conduziu ao campo de batalha. Digo isso sem nenhum exagero, porque o que se viu dali pra frente foi uma verdadeira luta. Duas moças, uma de cada lado com uma escova na mão, puxavam freneticamente o meu cabelo com a maior força em direção oposta, algo semelhante a um "cabo de guerra". A impressão que eu tinha é de que iam arrancar meu couro cabeludo e que não ia sobrar um fio de cabelo sequer para contar a história. Um verdadeiro massacre e eu pensava:
"- Mas que sofrimento...pra quê isso??? Ninguém merece!".
Passado alguns minutos nessa disputa pra ver qual das duas puxava mais, me conduziram a uma outra sala para mais uma etapa, mais uma escova, desta vez feita por uma só.
"- O pior já passou. Agora aqui é mole."
Bem, mole não sei pra quem, porque a única diferença é que agora era apenas uma a puxar. E como puxava. Nossa!!
Depois de hora e meia nesse entrave, finalmente ela terminou:
"- Você vai ver como vai gostar e da próxima vez você não vai sentir tanto". Fica combinado assim.
Saí de lá com a minha cabeça doendo tanto e certa de que aquele sofrimento nunca mais nessa vida, e até na próxima se pela herança genética eu puder me lembrar da sensação de estar sendo escalpelada.
Hoje, um dia depois, olhando o meu cabelinho bonitinho sem precisar nem pentear, estou começando a achar que valeu a pena as puxadas daquelas duas pra domar os meu cachos nem tão rebeldes assim. Acho que elas venceram a guerra! Se o resultado durar os três meses prometidos penso que já terei esquecido a dor e é possível que eu repita a dose. Confesso que estou começando a gostar do meu lisinho básico.

por Zelda
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