Mulheres Alternadas

Zelda Anjinha Magda Lena Rô

Sexta-feira, Junho 25, 2004

"...Na verdade, penso que por trás do discurso semanal repetitivo existe a necessidade de conversar com você mais profundamente, de falar da gente, mesmo que o que se fale não mude nada, ou mude. Sei lá!
Já conversamos sobre os perigos das más interpretações quando só dispomos das palavras escritas. De vez em quando, caímos nas teias de uma rede que nós criamos quando optamos por manter uma relação atípica, baseada em grande parte no que escrevemos um pro outro. Nesses casos, pontos ou vírgulas colocados fora do lugar podem causar um estrago, não é?
Também já falamos que, por não termos muito tempo e por conta dessa distância de mil quilômetros que nos separa, acabamos usando nossas bocas de outra forma quando estamos juntos e não mexendo no que possa ser uma ferida exposta: a nossa falta de perspectiva, o nosso caminhar pra lugar algum, o sentimento que alimentamos pra nada, a impossibilidade de sonhar juntos..."

(anotações ao léu - 13 jan)
por Magda
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Segunda-feira, Junho 21, 2004

Se, numa tarde de outono, céu pincelado de rosa, boca pintada de vermelho,
meus lábios tocassem os teus suavemente e minhas mãos encontrassem as tuas nervosamente,
e, nesse encontro, depois de tantos, eu te dissesse, aos prantos,
dos desejos contidos, dos beijos reprimidos nas noites cálidas de verão;
das incontáveis vezes que meu corpo ardente, escorrendo de tesão e suor,
procurava o teu inutilmente, entre os lençóis macios de algodão.
O que voce diria então?

por Zelda
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Sábado, Junho 19, 2004

"Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,
e tiritam, azuis, os astros ao longe".
O vento da noite gira no céu e canta.
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis...
Em noites como esta eu a tive entre os meus braços.
A beijei tantas vezes debaixo o céu infinito.
Ela me quis, às vezes eu também a queria.
Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma como na relva o orvalho.

Que importa que meu amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
Minha alma não se contenta em tê-la perdido.

Como para aproximá-la meu olhar a procura.
Meu coração a procura, e ela não está comigo

A mesma noite que faz branquear as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Já não a quero, é verdade, mas quanto a quis.
Minha voz procurava o vento para tocar o seu ouvido.

De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.

Já não a quero, é verdade, mas talvez a queira.
É tão curto o amor, e é tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta eu a tive entre os meus braços,
minha alma não se contenta em tê-la perdido.
Ainda que esta seja a última dor que ela me causa,
e estes, os últimos versos que lhe escrevo"

(Pablo Neruda)

por Zelda

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Quinta-feira, Junho 17, 2004

Pela fresta da porta,
na brecha da noite,
te espio dormindo.
és doce, frágil, lindo
és anjo com jeito de menino.

por Zelda
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Quinta-feira, Junho 10, 2004

"Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes!"

(Sophia de Mello Andresen)

por Zelda
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