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Sexta-feira, Abril 30, 2004
Tarde de quinta em Ipanema com M. Almoço light no Delírio Tropical e brownie com sorvete na Livraria da Travessa pra compensar. Aquela livraria é um charme e cheia de tentações em livros, cds e dvds. Comprei um livro pra dar de presente para a minha amiga L. Em meio a tantos, fiquei na dúvida se levava Pensar é transgredir, da Lya Luft, ou A caixa preta, romance do israelense Amós Oz. Leituras completamente distintas. M. argumentou que A caixa preta estava mais pra mim. Concordei e levei a Luft em fase de sucesso total.
Olhamos vitrines que olhavam pra nós dizendo "entrem e comprem". Uma tentação! Aproveitamos e passamos os olhos pelas joalherias da Garcia. Entre brilhantes, rubis e esmeraldas em peças de extremo bom gosto que ofuscavam nossos olhos, o único consolo é de que o uso dessas jóias é inviável no Rio de Janeiro. Não fosse isso... :)
Acabei resistindo às tentações - quase comprei uma saia ma-ra-vi-lho-sa - e voltei pra casa só com o livro que, mesmo sendo presente, é sempre uma boa aquisição.
por Zelda
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Quinta-feira, Abril 29, 2004
Estou chateada por deixar de lado meu exercício diário preferido: escrever no blog. Não sei o que está acontecendo. Acho que é mesmo falta de inspiração ou do cigarro: estou sem fumar há alguns dias e coincidentemente diminuí minhas entradas no blog. João Ubaldo tempos atrás quando parou de fumar disse que estava com dificuldade de escrever. Geralmente quem fuma quando escreve tem o cigarro ao lado. Pode ser isso. Mas vou ter que me acostumar com essa nova realidade. É uma questsão de tempo.
por Zelda
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Quarta-feira, Abril 21, 2004
Contribuição de Mrs. Red para o blog: pérolas da Radical Chic.
" Certas dietas são simples. É só cortar açúcar, frituras, massas, molhos, bebidas alcoólicas, pães, biscoitos... e os pulsos."
"Que me despreze, me maltrate, me agrida, tudo bem. Mas não falar de mim nem pro analista, é demais."
"Dizem que estou ficando amarga, enjoada, ácida, sem graça. Não é verdade. É só colocar limão, adoçante, sexo, gelo, brilhantes e mexer gostoso, que eu fico maravilhosa!"
"Paulo era lindo, sensível, carinhoso, engraçado, elegante, delicado, gostoso, honesto, companheiro, discreto... e gay."
"Faço meditação, aeróbica, judô, musculação. Jogo xadrez, vídeo game, King e batalha-naval. Estudo antropologia, física quântica, matemática e arqueologia. Escalo montanhas, faço vôo livre, salto de pára-quedas. Leio, escrevo, toco piano, pinto e bordo. Ufa!!!!! O que a gente não faz para compensar a falta de sexo gostoso..."
"Casamento é loteria. Agora, me responda, com sinceridade: quantas vezes você já ganhou na loteria?"
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Terça-feira, Abril 20, 2004
Tantas coisas aconteceram nos últimos dias, que não dá nem pra contar. Notícias boas, ruins, tentativa de mudanças radicais, muita expectativa. Aos poucos, vou colocando as idéias em ordem e as palavras idem. Por enquanto, só névoas secas e úmidas e muitos, muitos pontos de interrogação (logo eu que adoro um ponto-e-vírgula).
Mas tem uma coisa que não posso deixar de falar já. Depois de anos longe da faculdade, hoje retornei. Comecei um curso de pós-graduação e confesso que amei aquele frisson de sala de aula. Muito interessante voltar a estudar. A tirar pelo primeiro dia, sei que muitas coisas não serão novidade pra mim que já tenho alguma estrada, mas será ótimo relembrar outras e me atualizar.
por Zelda
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Quinta-feira, Abril 15, 2004
E já que a Martha Medeiros agradou, mais uma dela.
Fita Métrica do Amor
Como se mede uma pessoa?
Os tamanhos variam conforme o grau de envolvimento.
Ela é enorme para você quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravada.
É pequena para você quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade.
Uma pessoa é gigante para você quando se interessa pela sua vida, quando busca alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto.
É pequena quando desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos clichês.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas: será que ela que mudou ou será que o amor é traiçoeiro nas suas medições?
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande. Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. Nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, e sim de ações e reações, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão e, ao recolhê-la inesperadamente, se torna mais uma. O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande. É a sua sensibilidade sem tamanho.
por Zelda
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Quarta-feira, Abril 14, 2004
Well, well, well, continuo comendo poeira. Isto aqui está parecendo obra de igreja. Resultado: quando dá pra sentar no computador eu estou tão cansada que não tenho ânimo pra escrever sobre nada, nem sobre a rotina cacete de pregos, porcas e parafusos. Também não vejo sentido em relatar a obra passo-a-passo. Afinal, o blog não é uma daquelas coleções em fascículos do tipo "Como reformar sua casa em três etapas."
A grande novidade é que estou em campanha para parar de fumar. Êta! Haja força de vontade. Escrevendo então dá uma vontade danada. Talvez por isso, inconscientemente, esteja evitando o computador. Hoje, por exemplo, foi um dia daqueles em que o humor ficou péssimo. Um frenesi só. Vontade de comprar nem que fosse um cigarrinho a varejo. :) Mas resisti. Por hoje passei.
Na verdade, tinha mais pra contar. Tem uma história novinha da irmã de uma amiga minha que quase surtou quando de repente se viu diante da possibilidade - mesmo que remota - da realização de um sonho. Depois eu conto.
Ah, ia esquecendo: apesar das lentes empoeiradas dos óculos, estou quase acabando de ler Amestrando orgasmos, do Ruy Castro. Minha crítica? Não é um grande livro. Tem umas crônicas engraçadas, mas no geral parece que o humor não fluiu, que foi meio forçado. Assim eu senti.
por Zelda
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Nossa! Que abandono!! Mas hoje vou à forra.
por Zelda
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Sábado, Abril 10, 2004
Mais uma da Martha Medeiros
"O que é mais sagrado, um amor que permanece inalterado ou a paixão, que te enfarta três vezes ao dia?
O que é mais danoso, um amor que deixa a vida em ponto morto, ou a paixão, que te leva contra um poste?
O que é mais procurado, um amor oferecido em classificados ou a apaixão, que nunca está onde se espera?
O que é mais calamitoso, um amor gelatinoso ou a paixão explosiva? Não há resposta que nos sirva."
por Zelda
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Quinta-feira, Abril 08, 2004
Terça-feira resolvi espairecer e aceitei a sugestão da minha amiga M de sair por aí, meio sem destino. Pretendia assistir Sobre meninos e lobos, mas não deu pra conciliar horários e tais e aí... bem, rodamos e rodamos por Ipanema e Leblon, acabando no Botequim Informal. Pegamos uma mesa de cantinho, daquelas perfeitas pra se ter uma visão panorâmica do lugar, mas o papo ficou tão animado que nem nos ligamos no movimento. Ah, pra não dizer que nada nos chamou a atenção, estava lá um ator da novela das 19h, Cauã (um gato), que eu nunca tinha ouvido falar. Para mim, um ilustre desconhecido. M foi quem me chamou a atenção e pra tentar me situar a respeito do "galã" disse: "- É aquele que é namorado daquela menina que fazia uma das sapatinhos em Mulheres apaixonadas." :) Deu pra sacar? Hãhã!!
E não é que teve um homem, uns 50 anos, que pediu na maior um autógrafo pro menino? Nem aí pro bar lotado e pro mico que estava pagando, provavelmente pra fazer a alegria de alguma teen. Tá certo!
Como de costume, eu e M rimos muito. Ela no chopp e eu no guaraná. A pedida foi bolinho de aipim com catupiry e camarão. Deu água na boca? Em nós causou espantou quando chegaram à mesa quatro unidades do bolinho, que mais parecia um mata-fome. Enorme. Eu e M olhamos uma pra outra. Não era bem esse o espírito da coisa. Pensamos em pedir garfo e faca, mas afinal era um botequim e não dava pra esperar serviço à francesa. Então, depois de nos acostumarmos com a idéia, caímos de boca no bolão que, por sinal, estava muito bom. Falamos um monte de bobagens e relembramos ótimos tempos.
por Zelda
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Segunda-feira, Abril 05, 2004
Resolvi trocar também a mesa do meu computador. Desconectei alguns cabos, com a maior atenção pra depois não ficar sem saber aonde coloco o que, e instalei de novo. Aparentemente tudo certo, mas algo estranho sucedeu quando liguei o monitor: a tela ficou em tons de cor-de-rosa. Entrei em pânico e cheguei a sentir cheiro de queimado até onde não tinha. Liguei pro técnico em busca de um diagnóstico, de uma luz, e ele disse "Não faço a mínima idéia. Dá uma olhada no painel de controle." Saí em busca de ajuda do Windows, pesquisei os problemas mais comuns, vasculhei a configuração do vídeo e nada, nada que justificasse essa mudança. Cheguei à conclusão de que meu Windows XP foi o primeiro a apresentar sintomas de viadagem (sem preconceito!).
Aliás, não sei o que anda acontecendo com essa internet. E-mail funciona, deixa de funcionar, o MSN está esquisitíssimo. Peguei três invasões (eu não, o Norton) de trojan. Parece que foram bloqueados. Espero.
por Zelda
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Endless build
Sumida boa do blog esta semana. Minha casa está de pernas pro ar por conta de uma reforma que se estende há um mês. Parece que não restou pedra sobre pedra. E pensar que tudo começou com um armário novo...
Essa brincadeira está me consumindo o tempo todo. Saio de casa a toda hora pra comprar material, busco coisas praticamente impossíveis de serem substituídas, como a dobradiça de uma porta de pinho-de-riga que deixou de ser fabricada há dez anos, ou uma maçaneta com a mesma data de fabricação da dobradiça. Tudo coisa muito simples. O último grande trabalho de marcenaria foi há quase 40 anos, e foi tão bem-feito que poderia durar mais 40. As madeiras são de primeira, então vamos bater perna porque a causa é nobre.
E como em obra sempre ocorre algum atraso, a minha não está sendo diferente e por um motivo inusitado atrasou uma semana. Meu mestre-de-obra Su, o faz-tudo, faz merda também e deixou de pagar pensão alimentícia por quatro anos. Quando ele me disse que faltaria por conta dessa audiência, presságica comentei com B : "- Ele vai em cana!". E foi...putz! E adivinha pra quem sobrou pagar a fiança pra ele ser solto? Euzinha!! Senão, era um mês de detenção, e eu com minha casinha no chão.
Bem que os meus presságios podiam jogar a meu favor!
por Zelda
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Lendo há pouco um texto da Ana Elisa Ribeiro, no Digestivo Cultural, "Autor não é narrador, poeta não é eu lírico", em que fala do leitor que às vezes confunde o poema como expressão e extensão dos sentimentos ou vivências do poeta, o que necessariamente não ocorre , e das situações complicadas por que passou ao confundirem o seu eu lírico com ela.
Estou longe de me considerar poetisa ou algo que se assemelhe, mas quando escrevo nem sempre é para alguém especial, ou fala de algo que vivi ou experimentei. Dou asas à imaginação e deixo correr solto. Muitas vezes deixo de postar coisas por conta do "o que será que vai/vão pensar?". Esta possibilidade me inibe, porque muitas vezes escrevo sobre experiências que não vivi mas que posso sentir e descrever. Em suma, o discurso é pra dizer que me identifiquei com o texto. Assinaria embaixo.
por Zelda
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Quinta-feira, Abril 01, 2004
A falta
Você me faz falta
nos meus sonhos,
nas minhas fantasias
de amores improváveis.
Você me faz falta
à esquerda, no meu coração,
na lacuna da minha alma,
na fresta entre a emoção e a razão.
Você me faz falta
quando o gosto do beijo se desfaz em lágrimas
quando o calor do seu corpo se dispersa e esfria
quando sua alma se distancia...
por Zelda
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